|
|
|
Que ódio e este?
Após assistir, ainda muito recentemente em termos históricos,
à avalanche de xenofobia e racismo que dominou a Europa durante a
Segunda Guerra Mundial e nos anos que a precederam, sob a hegemonia
nazi-fascista; após atravessar os séculos de intolerância religiosa,
que resultou nos processos da Inquisição contra todos aqueles que
discordavam dos cânones da Igreja Católica na Idade Média e na
Moderna, o mundo depara hoje, mais uma vez, com novas ondas de racismo,
anti-semitismo e nacionalismo xenófobo (do grego xenos,
“estrangeiro”, e phobos, “fobia, horror”; ou seja, aquele que
tem ódio aos estrangeiros). Mesmo em alguns países, como o Brasil,
onde essas ideologias nunca chegaram a ter presença expressiva, vê-se
o seu renascimento.
Verdade que os tempos são outros. Há diferenças de tempo e
espaço – entre nazistas de ontem e os neonazistas de hoje; entre os
inquisidores medievais que jogavam os dissidentes na fogueira e os fanáticos
encapuzados da Ku Klux Klan que lançaram seu terror contra negros e
comunistas nos Estados Unidos, nos anos 60. Diferenças também entre os
integralistas, que atuavam na política brasileira dos anos 30 e grupos
como os skinheads/Carecas do Subúrbio de agora. Ainda que, ressalvadas
as respectivas nuances (...).
Outra particularidade é que o contingente de excluídos se
diversificou: aos judeus somaram-se os turcos, os árabes, os africanos
e toda a mão-de-obra barata procedente do Terceiro Mundo que buscou a
rica Europa e os Estados Unidos como mercado de trabalho nas últimas décadas. No Brasil, os
preconceitos dos neonazistas e neofascistas foram adaptados à realidade
local: em vez dos turcos, o alvo são os nordestinos – a mão-de-obra
miserável que migra em massa para o Sul do país –, incluindo também
os negros e os homossexuais, além dos judeus.
Qual a dimensão efetiva desse ressurgimento do nazi-fascismo no
mundo? O que ele significa? Quem são esses enlouquecidos skinheads que,
como os inquisidores medievais ou os SS nazistas dos fornos crematórios,
queimam hoje imigrantes turcos na Alemanha, assassinam africanos na Itália,
rejeitando o pobre, o diferente? E no Brasil, como esses movimentos se
originam? (...) SALEM, Helena. As tribos do mal: o neonazismo no Brasil e no mundo. 1 ed. São Paulo: Atual, 1995. p. 1-3. QUE ÓDIO É ESSE? |